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Novembro

Escassez de matérias-primas de refrigerantes prejudica fábricas regionais

 

A escassez de matérias-primas para a produção de refrigerantes aumentou durante a pandemia e vem provocando preocupação a pequenos e médios fabricantes de bebidas do Brasil. Em entrevista ao Portal de Bebidas Brasileiras, na segunda-feira (23), executivos do setor afirmaram que, no auge do surto da doença no país, indústrias fornecedoras de elementos essenciais reduziram a produtividade e, por consequência, os estoques. Isso, segundo eles, recaiu sobre as empresas regionais. 

A crise provocada pelo coronavírus afetou de várias formas os fabricantes brasileiros. A partir de decretos governamentais, que determinavam o fechamento do comércio e o isolamento social da população, empresas locais sofreram redução significativa no faturamento. Associadas à Afrebras (Associação dos Fabricantes de Refrigerantes do Brasil), as indústrias Bebidas Conquista, Wewish e Cyrilla, fortalecem a campanha "Compre do pequeno", que busca a valorização de pequenos e médios produtores regionais, principalmente durante a pandemia. 

Sócio-diretor da fábrica Refrigerantes Cyrilla, Luiz Marquezán assevera que a falta de garrafas de vidro não-retornáveis impactou na produção do principal produto da empresa. "Sentimos que a falta da matéria-prima começou há 90 dias e vem se intensificando por agora. A gente entra na programação, mas temos que torcer para que eles [fornecedores] cumpram com o pedido", diz. " Utilizamos essa embalagem [de vidro] para o refrigerante Cyrillinha de 250 ml, que é um dos mais tradicionais do Rio Grande do Sul", explica ele. 

Marquezán pondera que a escassez de bens essenciais se deu a partir da "lei da oferta e da procura". De acordo com ele, no período da pandemia, o setor de alimentação continuou aquecido, e alguns setores produtivos diminuíram sua produção, o que, segundo ele, acarretou na redução de ofertas no mercado. A fábrica de Luiz Marquezán produz a Cyrillinha à base de óleos da casca da laranja em Santa Maria, a cerca de 290 quilômetros de Porto Alegre. 

Em São Paulo, a indústria Bebidas Conquista não sofreu com a falta de matérias-primas, conforme explica o diretor Celso Botega, mas porque a direção antecipou pedidos a fornecedores estratégicos. "Começamos a receber noticias de fornecedores sobre possíveis faltas de insumos em meados de setembro", lembra ele. O CEO assevera que não houve carência de insumos, mas que algumas entregas atrasaram. 

"Creio que, por conta da pandemia, muitas empresas reduziram suas produções e dispensaram funcionários. Com o desabastecimento da cadeia e, em sequência, a retomada da produção, as indústrias de embalagens, e entre outras matérias-primas, ficaram sem tempo necessário para encontrar pessoal, reabastecer seus estoques e dar continuidade no abastecimento das fábricas", avalia Botega. 

Diretor executivo da fábrica Wewish, localizada em Barueri, a 30 quilômetros de São Paulo, Roberto Lombardi afirma que o sinal de alerta sobre a falta de embalagens em lata e garrafa de vidro, utilizadas para envase das bebidas da empresa, foi ligado a partir do terceiro trimestre de 2020. De acordo com ele, a despreparação e carência de investimentos das indústrias brasileiras no aumento da capacidade produtiva, ao longo dos últimos anos, refletiu durante a pandemia. 

Ao comemorar a retomada no crescimento demanda nos últimos meses, Lombardi também lamenta o desabastecimento de insumos. "Esse problema só pode ser resolvido com investimentos para a ampliação da capacidade produtiva da indústria. Esses investimentos só virão com a resolução de gargalos sistemáticos que temos em nosso país, como insegurança jurídica, modelo tributário complexo e ineficiente, e grande volatilidade de preços, ativos e indicadores, que inviabiliza cenários de mínima previsibilidade de médio ou longo prazo", sugere o diretor da Wewish. 

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